A Cimeira dos Líderes do G20 encerrou com uma declaração ousada de construir uma economia global mais inclusiva, resiliente e sustentável. A 23 de Novembro de 2025, os líderes anunciaram compromissos ambiciosos que abrangem o crescimento e a industrialização de África, a resiliência a situações de desastres, as transições energéticas, os minerais críticos, a segurança alimentar, a estabilidade financeira e a inovação responsável em inteligência artificial (IA).
O G20 é constituído por 19 países e pela União Europeia, que representam as maiores economias mundiais. Os seus membros, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos da América e União Europeia, representam colectivamente mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio internacional e dois terços da população mundial. Isto torna o G20 um fórum crucial para a cooperação económica internacional.
Além dos seus membros centrais, a África do Sul, na qualidade de Presidente, endereçou convites a vários países e organizações internacionais, incluindo comunidades económicas continentais e regionais. De entre os participantes, destacou-se o Secretário Executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), S. Ex.ª Elias M. Magosi, juntamente com outros Chefes das Comunidades Económicas Regionais Africanas.
O G20 reafirmou o seu apoio à transformação económica de África, destacando o Pacto com África (CwA) como uma iniciativa fundamental. Lançado em 2017, o CwA promove o investimento privado através de reformas que reforçam a estabilidade macroeconómica e os ambientes empresariais. Os líderes acolheram com satisfação a Segunda Fase do CwA (2025-2033), apoiada por um novo fundo de multidoadores do Banco Mundial, e anunciaram a inclusão da Zâmbia e de Angola como novos membros. Estas parcerias alargadas têm como objectivo impulsionar a industrialização, o comércio e a integração nas cadeias de valor globais.
Em matéria de resiliência a situações de desastres, os líderes adoptaram princípios de alto nível para a redução de riscos, introduziram um Quadro de Avaliação da Preparação para a Recuperação e comprometeram-se a implementar sistemas universais de aviso prévio até 2027. As transições energéticas assumiram um papel central com a Missão 300, que visa conectar 300 milhões de africanos à electricidade até 2030. Os líderes também se comprometeram a triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar as melhorias na eficiência energética até ao final da década.
O G20 revelou um Quadro de Minerais Críticos para garantir cadeias de abastecimento transparentes, promover a beneficiação local e reforçar a governação para uma mineração sustentável. A industrialização foi impulsionada através de novos princípios que associam a produção industrial ao trabalho digno, à protecção social e ao apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) e às empresas em fase de arranque.
A segurança alimentar manteve-se como prioridade, tendo os líderes assumido o compromisso de alcançar a Meta "Fome Zero” através de Abordagens Ubuntu sobre Segurança Alimentar e Nutrição. Estas abordagens investem nos pequenos agricultores, reduzem o desperdício de alimentos e ampliam a agricultura resiliente às alterações climáticas. Os líderes também reafirmaram o apoio às iniciativas lideradas pelos africanos no âmbito do Programa Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP) e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
Os compromissos de estabilidade financeira incluíram reformas para impulsionar os empréstimos dos bancos multilaterais de desenvolvimento, reformas de governação no Fundo Monetário Internacional (FMI) com um novo Presidente para a África Subsaariana e o lançamento da Ubuntu Legacy Initiative para acelerar projectos de infra-estruturas transfronteiriças.
Os líderes mundiais também se comprometeram a tirar partido da IA e das tecnologias digitais para acelerar os progressos rumo à concretização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Os compromissos incluem quadros de IA seguros e éticos, cooperação global através do Mecanismo de Assistência à Política Tecnológica da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e o lançamento da Iniciativa de IA para África para expandir a capacidade de computação e o talento em todo o continente.
A Cimeira encerrou com um apelo à solidariedade e ao multilateralismo. Os líderes comprometeram-se a não deixar ninguém para trás e a garantir que as políticas económicas globais proporcionem produtividade, equidade e desenvolvimento sustentável para todos. A Declaração encontra-se disponível aqui: https://g20.org/wp-content/uploads/2025/11/2025-G20-Summit-Declaration.pdf