DECLARAÇÃO DO SECRETÁRIO EXECUTIVO DA SADC S. Ex.ª . ELIAS M. MAGOSI, POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO DE 2026

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DECLARAÇÃO DO SECRETÁRIO EXECUTIVO DA SADC

S. Ex.ª . ELIAS M. MAGOSI, POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO DE 2026

Tema: «Inovar hoje. Alimentar o amanhã.»

16 de Outubro de 2026

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) junta-se à comunidade global na comemoração do Dia Mundial da Alimentação de 2026, sob o lema «Inovar hoje. Alimentar o amanhã.» Para a África Austral, o presente tema está imbuído de grande importância, uma vez que os choques climáticos, a insegurança alimentar, a desnutrição e as perturbações nos mercados continuam a ameaçar os meios de subsistência e o desenvolvimento sustentável em toda a região.

A inovação é essencial para transformar o conhecimento, a tecnologia e a cooperação regional em soluções práticas que reforcem a segurança alimentar e nutricional. Para a SADC, isto significa aproveitar a ciência, os dados e a inovação para melhorar a produção agrícola resiliente às alterações climáticas; reforçar os sistemas de saúde animal e vegetal; melhorar as instituições, as políticas e os mercados; e capacitar os agricultores, as mulheres, os jovens e as comunidades locais para impulsionar uma mudança sustentável.

A dimensão do desafio continua a ser significativa. A mais recente análise regional da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC) estima que 38,8 milhões de pessoas em oito Estados-Membros da SADC sofreram de insegurança alimentar aguda ao nível de «Crise» ou pior (Fase 3 da IPC ou superior) entre Outubro de 2025 e Junho de 2026. Além disso, mais de 21 milhões de crianças em toda a Região sofrem de raquitismo. Estes números sublinham a necessidade urgente de aumentar a produção alimentar, garantindo simultaneamente que todas as pessoas tenham acesso a alimentos suficientes, seguros, variados e nutritivos.

As previsões climáticas regionais da SADC para a época chuvosa de 2026/27 vêm reforçar a necessidade de uma acção. Prevê-se que a precipitação seja inferior ao normal e que as temperaturas sejam superiores à média em grande parte do centro e do sul da SADC, enquanto se esperam condições mais chuvosas em algumas zonas da região norte. Dado que o fenómeno El Niño deverá aumentar o risco de redução das precipitações, os Estados-Membros devem recorrer mais às previsões sazonais, bem como a informações meteorológicas nacionais e de curto prazo, para orientar intervenções oportunas e adequadas às condições locais. A conversão da informação climática em acção, através de uma melhor gestão da água, de uma agricultura resiliente às alterações climáticas, de sistemas de informação agrícola e de planos de contingência, será fundamental para proteger a produção alimentar, o gado, os meios de subsistência e as comunidades vulneráveis.

A SADC está a envidar estes esforços através da Política Agrícola Regional, que integra informações climáticas e sistemas de aviso prévio com a produção agrícola, a saúde animal e vegetal, a nutrição, os mercados e o comércio. Através do projecto «Apoio à Operacionalização da Política Agrícola Regional da SADC» (STOSAR II), implementado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiado pela União Europeia, a SADC está a apoiar as seguintes prioridades:

  • Tomada de decisões com base em evidências: Reforçar os sistemas regionais de informação sobre agricultura e segurança alimentar, a fim de antecipar riscos e orientar a preparação, o investimento e a resposta.

  • Melhoria da nutrição: Melhorar os sistemas de dados sobre alimentação e nutrição, promovendo simultaneamente os alimentos locais e subutilizados, a fim de apoiar regimes alimentares saudáveis e uma maior diversidade alimentar.

  • Protecção das culturas, do gado e dos meios de subsistência: Reforçar a vigilância, a detecção precoce e o controlo coordenado das doenças animais e pragas vegetais transfronteiriças.

  • Soluções acessíveis para os agricultores: Expandir os serviços de aconselhamento digital, as escolas de campo para agricultores e as cooperativas, a fim de dotar os agricultores, em particular as mulheres e os jovens, de conhecimentos práticos e tecnologias.

  • Comércio regional mais seguro e mais eficiente: Promover sistemas de certificação digital e normas harmonizadas para facilitar a circulação segura de produtos agrícolas e reduzir as barreiras ao comércio.

  • Investimento sustentável e escalável: Aplicação de ferramentas baseadas em dados concretos para apoiar cadeias de valor agrícolas inclusivas, adaptadas às alterações climáticas, de baixas emissões e comercialmente viáveis.

Em conjunto, estas prioridades demonstram como a cooperação regional e a inovação podem trazer melhorias tangíveis em matéria de segurança alimentar, nutrição e resiliência em toda a África Austral.

Ao comemorarmos o Dia Mundial da Alimentação de 2026, apelo aos Estados-Membros da SADC, aos agricultores, às instituições de investigação e académicas, ao sector privado, aos parceiros de desenvolvimento, às mulheres e aos jovens para que transformem o conhecimento, a tecnologia e o investimento em soluções práticas que reforcem os sistemas agro-alimentares, protejam os meios de subsistência e alarguem o acesso a alimentos nutritivos para todos.

As escolhas que fazemos hoje determinarão até que ponto a África Austral conseguirá alimentar a sua população amanhã. Portanto, vamos investir na inovação, reforçar a colaboração e construir sistemas agro-alimentares resilientes que não deixem ninguém para trás.

Inovar hoje. Alimentar o amanhã.